Downhill pela estrada da morte – Insano, assustador, imperdível!

Após pesquisar bastante, compramos diversos passeios com a mesma operadora, assim conseguimos um bom desconto. Optamos pela “Viacha Tour”, localizada na Calle Sagárnaga. Eles terceirizam serviços de outras agências e nesse passeio de bike utilizaram os serviços da “El Solario”. Pessoalmente não tive maiores problemas, minha bicicleta estava em bom estado, achei os guias atenciosos e o lanche e almoço foram bem razoáveis. Até o café da manhã estava incluído, mas dispensamos e preferimos tomar café no hostel pra que pudéssemos dormir um pouco mais. Meu único inconveniente foi o capacete, que era grande demais, mas consegui resolver o incômodo colocando uma touca de lã por baixo. Percebi que algumas pessoas do meu grupo reclamaram do freio e outras tiveram problemas com as luvas, que causaram bolhas nas mãos.

Carretera de la Muerte

Esse tour é conhecido como o “Downhill de Coroico”, pois supostamente deveria terminar na cidade de Coroico. Acredito que antigamente eles fossem até lá, mas hoje em dia todas as agências já avisam que o término se dá na cidade de Yolosa, que fica a cerca de 20 minutos de Coroico. Mas isso realmente não importa, pois ainda assim você terá muita descida pela frente!

O ponto de partida, conhecido como “La Cumbre”, fica a 4.600m de altura. Lá os guias nos forneceram as bicicletas, roupas, equipamentos e nos passaram as instruções de segurança.

Início Death Road

A que mais me chocou foi a de que deveríamos seguir sempre pelo lado do abismo, caso contrário, estaríamos na contramão. Em alguns momentos desobedeci a essa regra, pois achei que seria melhor morrer atropelada do que cair daquela altura toda!

Tivemos tempo para algumas fotos e antes de iniciarmos os guias verificaram pessoalmente a bicicleta de cada um. “Hora de partir”, nos informou nosso “guia bilíngue” em espanhol e também no inglês mais sofrível do mundo! Nesse exato momento, parecendo coisa de filme, ouvimos um barulho e quando olhamos pra trás, vimos um ciclista que tinha tomado um senhor capote! Que mau presságio! Percebi que ele estava lúcido, mas não fiquei sabendo se tinha sido grave ou não, pois saímos e ele ainda estava no chão recebendo assistência. Após o susto, iniciamos a descida! Esse primeiro trecho é asfaltado, achei muito bom pedalar ali, mas é preciso atenção, pois a estrada é cheia de curvas e o trânsito de veículos apesar de não ser intenso, é bem rápido.

Death Road asfalto

Após 10 minutos fizemos uma parada pra fotos e passados 30 minutos houve uma nova pausa antes de iniciarmos o trecho de pedras. Ali sim começava a estrada da morte! Confesso que tive medo (muuuito!). A bicicleta trepidava demais e eu me desequilibrava o tempo todo, mas segui em frente (só Deus sabe como!). A paisagem é belíssima! Pena que não pude contemplá-la como gostaria, pois preferi olhar atentamente para chão! Utilizei tanto os freios que fiquei com dor desde os pulsos até os ombros, sem contar a dor no traseiro!

Um guia seguia de bike na frente e outros dois iam atrás, em uma van, dando suporte. O trajeto todo dura cerca de 5h, incluindo as pausas pra fotos e lanche. No caminho tivemos alguns desafios adicionais, como passar por baixo de uma pequena queda d’água e por um córrego, que é bem raso, mas com profundidade suficiente pra molhar os pés. Nesse momento meu calor já era tanto, que achei até bom.

Death Road

Acidentes são frequentes nessa estrada, ainda que a incidência de acidentes fatais seja pequena e mais comum entre carros, todo cuidado é bem-vindo. Com aquelas pedras todas, mesmo os tombos sem maior gravidade podem ser bem doloridos.

Um pouco mais de trepidação e avistei ao longe a chegada! Eu mal podia acreditar! Foi ótimo descer da bike, isso até o momento em que eu lembrei que tinha joelhos! Pensei que eles não iriam esticar nunca mais! Pausa para um merecido brinde com cerveja Paceña e depois seguimos para local do almoço, uma espécie de pousada, bem simples, mas que naquele momento me pareceu o paraíso! Ali tinha umas redes, chuveiros e até uma piscina. O local não era bem conservado, mas pelo pouco tempo que ficamos ali, estava ótimo… Fomos almoçar e o meu prato faria inveja a muito pedreiro. O cardápio era: macarrão, farofa, frango e salada. Pra beber, Coca-Cola ou água e de sobremesa flan de baunilha. Hummm!!!!!

Na volta, geralmente os motoristas fazem outro caminho, mas como estávamos atrasados, acabamos subindo pela estrada da morte mesmo, o que foi ótimo, pois assim pude observar com mais calma a beleza do lugar, os perigos de cada curva e sentir muito orgulho de ter terminado. Experiência difícil de descrever com palavras, igualmente assustadora, emocionante e inesquecível!

Quem não se animar a descer de bike, mas tiver vontade de conhecer a “Death Road” pode fazer o trajeto em uma das vans ou no ônibus de apoio, não pesquisei valores pra fazer dessa forma, mas imagino que por não ter a necessidade dos equipamentos seja bem mais barato.

Pacote (transporte/bike/lanche/almoço/camiseta/cd com fotos e vídeo): Bs 350
Ingresso para utilizar a estrada da morte: Bs 25

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