La Paz: Caótica e apaixonante

Após chegar ao Aeroporto Internacional de El Alto (nome, aliás, bem condizente com seus 4.061m de altitude) é provável que você sinta os primeiros efeitos do soroche (mal da altitude) e queira voltar dali mesmo. A sensação é realmente bem desagradável, os sintomas mais comuns são: dor de cabeça, tontura, náusea, cansaço e falta de ar (geralmente tudo junto!). Mas não se desespere, a adaptação costuma ser rápida.

La Paz

Felizmente La Paz está um pouco abaixo do aeroporto, o que não chega a ser motivo pra grandes comemorações, já que ainda assim ela é a capital mais alta do mundo, com 3.660m de altitude e essa pequena diferença em relação ao aeroporto não alivia muita coisa. Vale a pena parar em uma farmácia, comprar algumas unidades de soroche pill e procurar descansar no primeiro dia. Esse remédio é composto basicamente de paracetamol e cafeína (vendido a Bs 4 a unidade). Achei que ajudou um pouco.

Indisposição controlada? Tenha em mente que seus problemas estão apenas começando. Adicione ao inconveniente do ar rarefeito, o fato dele ser extremamente poluído. Tão poluído que algumas pessoas andam de máscara nas ruas. Além disso, o trânsito é infernal, o mais caótico que eu já vi na vida (e olha que eu sou Paulistana!). Leis de trânsito praticamente não existem, os motoristas são imprudentes, não respeitam o farol vermelho, ultrapassam em local proibido e nunca, em hipótese alguma, dão passagem ao pedestre. Ali, o que vale é a lei da buzina!

Caminhar por La Paz também não é tarefa das mais fáceis, devido à geografia montanhosa, o que não faltam são ladeiras imensas e mal, ou melhor, NÃO sinalizadas. Um verdadeiro pesadelo pra quem ainda não superou o soroche. A maioria das ruas não tem placa, o que torna frequente o fato de você subir uma pirambeira e quando estiver lá em cima, quase cuspindo os pulmões, perceber que está em lugar errado.

Desistir? Nem pense nisso! Tendo em mente essas dificuldades, prepare-se pra encará-las com bom humor e encantar-se com as peculiaridades da capital boliviana.

Confira abaixo alguns atrativos:

Mercado de las Brujas

Mercado de las Brujas

O Mercado das Bruxas é com certeza o local mais colorido e rodeado de superstições de La Paz. As diversas lojas localizadas ao longo da estreita Calle Linares vendem de tudo para simpatias, magia e até rituais macabros. O produto mais famoso é o feto de llama, que segundo a crença popular, se enterrado no quintal, traz sorte para a casa nova. Os fetos ficam pendurados pelo pescoço no teto das lojas, há de todos os tamanhos, alguns inclusive bem grandinhos, esses não são fetos e sim filhotes que foram mortos com poucos dias de vida. Confesso que saber do sacrifício de bichinhos tão inofensivos me causou muita pena.

Quem não se interessar pelos materiais para feitiços, pode aproveitar sua passagem pelo mercado pra adquirir produtos de lã como luvas, blusas, ponches e gorros típicos, daqueles que cobrem as orelhas. Os de lã de alpaca e llama aquecem mais, porém são mais caros (e pinicam!). Já os produtos de lã sintética têm preços mais acessíveis.

A variedade de itens afrodisíacos também é imensa, há produtos que prometem trazer de volta o amor perdido, causar sofrimento a parceiros infiéis ou até mesmo aumentar a virilidade. Eles podem ser encontrados em forma de perfumes, sabonetes ou poções.

Calle Jaen

Calle Jaen

A calle Jaen é uma simpática ladeira cheia de casas coloridas do período colonial, onde se encontram 5 museus.

Por apenas Bs 10 é possível visitar os 4 primeiros museus mencionados abaixo, os ingressos são vendidos no “Museo Costumbrista” e para o último deles é cobrado um ingresso à parte, também no valor de Bs 10, esse vendido diretamente no local.

• Museo Costumbrista Juan de Vargas

Localizado na esquina da Calle Jaen com a Calle Sucre, esse foi o museu que eu mais gostei. Fornece informações sobre a cultura e tradições bolivianas, sendo grande parte do acervo composto por maquetes e fotos antigas, o que torna a visita bem atraente. Possui salas com mostras temporárias e permanentes, entre as exposições permanentes destaco “La Sala de la Chola Paceña”. Ali estão expostas peças de um traje típico de chola (xale, chapéu-coco e saia de babados) e é retratada um pouco da história desse personagem tão característico da Bolívia, oriundo da fusão da cultura local com a tradição espanhola.

Funcionamento:
Terça a Sexta 9h00 – 12h30 / 14h30 – 19h00
Sábados e Domingos 9h00 – 13h00

• Museo del Litoral Boliviano

Esse museu concentra informações sobre a Guerra do Pacífico (1879 -1884), motivada por disputa territorial da região Norte do Atacama, área muito rica em nitrato de potássio. A Bolívia, apesar de ter contado com o apoio do Peru, saiu derrotada pelo Chile, perdendo assim parte de seu território e o porto de Antofagasta.

Desde então, o país não possui mais saída para o mar e essa questão ainda é motivo de muito rancor contra os chilenos.
O painel abaixo, localizado em uma das paredes do museu, representa a esperança da população e governantes de reaver seu litoral.

Museo del Litoral Boliviano

Funcionamento:
Terça a Sexta 9h00 – 12h30 / 14h30 – 19h00
Sábados e Domingos 9h00 – 13h00

• Museo de Metales Preciosos Precolombinos

Também conhecido como Museu do Ouro (Museo del Oro), abriga artefatos feitos de ouro, prata e bronze que pertenceram aos Incas e civilizações pré-Incas. Há também uma sala com monolitos (esculturas formadas por uma única pedra ou rocha maciça) da civilização Tiwanaka.

Funcionamento:
Terça a Sexta 9h00 – 12h30 / 14h30 – 19h00.
Sábados e Domingos 9h00 – 13h00.

• Museo Casa Pedro Domingo Murillo
Antiga casa de Pedro Domingo Murillo, mártir da independência boliviana.
Não tive tempo de conhecer, pois já estava exausta após a visita a 3 museus.

Funcionamento:
Terça a Sexta 9h00 – 12h30 / 14h30 – 19h00.
Sábados e Domingos 9h00 – 13h00.

Museo de Instrumentos Musicales

Também deixei esse museu pra próxima, mas depois me arrependi bastante. Trata-se de um espaço particular, ali se encontram instrumentos musicais feitos de materiais rústicos, tais como flautas de pedras vulcânicas ou de ossos, chocalhos feitos de cascos de cabras e guitarras de cascos de tatu ou tartaruga. Alguns instrumentos podem ser tocados.

Funcionamento: Aberto diariamente das 9h30 às 18h.

Plaza Murillo

Plaza Murillo

Marco zero da cidade, seu nome é outra homenagem ao precursor da independência boliviana, Pedro Domingo Murillo. Ali estão o Parlamento, o Palácio do Governo, o monumento a Murillo e a Catedral de La Paz.
A praça foi palco de acontecimentos históricos importantes, como diversos conflitos durante a época das guerras de independência da América espanhola e em período mais recente, 1946, também houve no local o enforcamento do presidente da época, Villaroel.

Calle Sagárnaga

Nessa rua há uma grande concentração de lojas de artesanato, simpáticas cafeterias que vendem o chá de coca feito da própria folha (e não o mais comum, de saquinho), além de agências de turismo, nas quais são vendidos passeios não apenas para La Paz, mas para toda a Bolívia. Os preços variam bastante, vale a pena pesquisar.

Paseo del Prado

Centro antigo e zona de menor altitude da cidade, ali há um passeio peatonal e uma boa variedade de restaurantes. Fomos ao restaurante Dumbo, que mais parece um parque de diversões, com muitas luzes piscantes e brinquedos pra entreter as crianças. Pra fugir um pouco das “papas fritas”, que acompanham qualquer prato na Bolívia, pedi um sanduíche de atum, mas não adiantou nada, o lanche veio submerso em oleosas batatas e eu obviamente comi tudo!

O Passeio abriga ainda monumentos em homenagem a Simon Bolívar e Cristóvão Colombo.

Iglesia y Convento San Francisco

La Paz 6

Sua construção data do século XVIII, totalmente feita em pedra. Belíssima! Seu estilo decorativo é conhecido como barroco mestiço, pois mescla influências do barroco europeu com técnicas desenvolvidas pelos índios. Está localizada na Avenida Mariscal Santa Cruz, na Plaza San Francisco.

Calle del Comercio

Como o próprio nome sugere, é uma rua estritamente comercial, com muitas lojas e diversas cholas vendendo seus produtos em tendas armadas ao longo de toda a sua extensão. Caso você não tenha roupa suficiente para enfrentar as baixas temperaturas de La Paz, esse é o lugar pra comprar sua “North Fake” a um preço bem acessível. As falsificações estão longe de serem réplicas perfeitas, mas quebram um galhão contra o frio.

Librería Gisbert

Aproveite sua passem pela Calle del Comercio e visite a Librería Gisbert. Não espere encontrar uma Mega Store, a livraria é pequena e o sistema de localização dos livros precário. Mas o atendimento é atencioso e o acervo razoável. Também há uma boa cafeteria lá dentro.

4 Corners

Para os que não se adaptarem à culinária local, esse é um verdadeiro oásis no deserto. No final da Calle Cochabamba, um pouquinho à esquerda, há nas quatro esquinas opções de comidas de diferentes culinárias. Creio que o nome (em inglês) visa mesmo atrair os gringos (com sucesso!).

Conheci o restaurante vegetariano “Tierra Sana”, que a cada dia da semana oferece uma opção diferente de entrada, prato principal e sobremesa a Bs 30. Bem ao lado está o italiano “Little Italy”, que também tem o mesmo esquema, mas como cheguei muito tarde pro almoço, tive que pedir a la carte e ficou um pouco mais caro. Do outro lado da rua estão: “La Cueva”, restaurante mexicano e “Olivers”, um pub Inglês, mas esses eu não visitei.

Tierra Sana La Paz

La Pa Little Italy

La Paz La Cueva

Mercado de Pescados

Feira de Pescados

Localizado ao lado do cemitério, o chamado “Mercado de Pescados”, na verdade é uma feira livre na qual se vendem apenas peixes. Frequentado predominantemente por nativos, é uma ótima oportunidade pra entrar em contato com a cultura local. Chegamos ali graças à dica de um taxista. Os peixes são provenientes do lago Titicaca, eles podem ser comprados crus, nas barraquinhas das cholas, ou já preparados, em um dos diversos restaurantes localizados na própria rua da feira. Obviamente o aroma por ali não é dos melhores, mas os peixes são muito frescos e baratos. Provei a “trucha” e como guarnição, pedi arroz e batatas (papas). O peixe estava delicioso, coberto com uma farta quantidade de “hispi”, um peixinho desses usados como isca, bem crocante, sensacional! Mas o problema é a grande variedade de batatas que eles têm por lá. No meu prato havia três tipos de batatas e uma delas (a que veio em maior quantidade) era bem preta, redondinha e muuuuito fedorenta! Parecia (e cheirava) cocô! Minha sugestão pra quem for comer por ali é pedir peixe apenas com arroz ou macarrão (fideos), assim acho que fica mais garantido!

Onde Ficar

Residencial Latino
Diária em quarto duplo: Bs 182

Custos

Vôo Santa Cruz – La Paz (Amaszonas): US$ 125
 

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