São Silvestre: Conheça os principais pontos turísticos de São Paulo correndo

Réveillon em São Paulo? Que tal terminar o ano participando da mais tradicional corrida de rua do Brasil? A São Silvestre, hoje reconhecida como prova integrante do calendário internacional, foi idealizada pelo jornalista Cásper Líbero, que após observar uma corrida noturna em Paris, resolveu trazer a ideia para o Brasil, criando uma prova que seria realizada no último dia do ano com largada às 23h30. Sua primeira edição aconteceu em 1925 e o nome escolhido foi uma homenagem ao santo daquele dia, Papa Silvestre I. Atualmente a prova tem início de manhã, o que impede que um atleta de elite vire o ano com uma vitória, mas por outro lado, facilita a vida dos reles mortais do pelotão geral, que podem voltar pra casa a tempo de curtir a festa de ano-novo.

Fonte: Site Yescom

Fonte: Site Yescom

Após certa dúvida sobre participar ou não, já que eu não estava treinando adequadamente e todos os meus amigos tinham dado pra trás, resolvi agir por impulso antes que as inscrições fossem encerradas e garantir meu lugar na festa (é, a São Silvestre é muito mais uma festa que uma corrida!). Entrei no site, paguei a taxa de R$125,00, que inclui um chip para marcar o tempo de prova, algumas guloseimas, uma camiseta, o número de peito e uma medalha (essa só para quem concluir a prova).

Formalidades resolvidas, em 31/12/2013 lá estava eu esperando a largada da minha 3ª São Silvestre, junto a cerca de 27.500 participantes inscritos, fora o pessoal da pipoca (os que participam sem inscrição). Estava no meio de um verdadeiro mar alaranjado, cor da camiseta oficial da prova, mas pra contrariar, fui de verde! A apreensão era grande, um friozinho na barriga, uma vontade de começar logo, enfim, aquela ansiedade comum antes de qualquer prova. A largada do povão, que estava prevista para as 9h da manhã atrasou mais de meia hora. Quando largamos já sabíamos quem havia vencido a prova feminina, a queniana Nancy Kipron, que concluiu o percurso em pouco mais de inacreditáveis 51 minutos.

Finalmente o locutor informa “Começa a São Silvestre 2013 pro pelotão geral!”… “Tá valendo!”. Este ano o ponto de partida foi na Avenida Paulista próximo à Frei Caneca. Eu estava tão longe da largada que demorei cerca de 15 minutos pra conseguir passar por ela e iniciar a corrida. Os primeiros metros fiz praticamente caminhando, não havia espaço pra correr. Aproveitei a muvuca pra dar tchauzinho pra câmera da Globo, tirar fotos e me divertir com os já tradicionais participantes fantasiados. Passaram por mim os três teletubbies, a mulher maravilha, um surfista com prancha e tudo, Quico, Chiquinha e Chaves, além de muitas outras “celebridades”!

Seguimos sentido Doutor Arnaldo e ao passarmos pelo túnel fomos motivados com aplausos e assobios do pessoal que assistia. Muito legal esse incentivo! Logo estávamos na Major Natanael. Os pulmões apesar de ainda não estarem cansados, apreciaram o ladeirão! Nesse ponto, a multidão já estava um pouco mais dispersa e já era possível correr. Passamos pelo Estádio do Pacaembu e em seguida pelo que restou do Memorial da América Latina após o lamentável incêndio. A escultura “Mão” de Niemeyer acena para os corredores.

Alguns quilômetros depois já estávamos no centro, minha parte favorita da prova. Gosto muito da arquitetura da região e melhor ainda é poder contemplá-la sem trânsito. Momento de concentração, tinha chegado a hora de sofrer um pouco com a subida da Avenida Rio Branco. A temperatura estava bem quente, mas felizmente o céu estava nublado. Torci demais por uma chuvinha (que não veio!). Passamos pela Duque de Caxias, por alguns belos pontos turísticos da cidade como o Largo do Payssandú e a Praça da República, além da famosa esquina da Ipiranga com a São João, eternizada por Caetano na música “Sampa”.

Durante todo o trajeto as manifestações de apoio aos corredores foram constantes. Algumas pessoas ficavam na porta das suas casas jogando água com mangueira no pessoal e essas gotas eram disputadíssimas! Nesses pontos se formavam verdadeiras filas pra desfrutar um breve jato d’água. Parei por ali e também recebi a minha cota! Um pouco mais pra frente a torcida do Corinthians também marcou presença, todos uniformizados e com bandeiras do seu time, traziam cartazes motivacionais e aplaudiam o pessoal. Algumas famílias trouxeram cadeiras para a beira da rua e ficaram por ali animando os participantes.

Olhei de relance para o Teatro Municipal. Que lindo! Já estava no quilômetro 12 e o Viaduto do Chá também tinha ficado pra trás. Não me lembro exatamente em que local do centro havia um ponto de distribuição de Gatorade, mas me lembro muito bem da guerra que foi pra conseguir um dos últimos saquinhos restantes. Valeu a luta! Essa era a energia que eu precisava pra encarar a temida subida da Brigadeiro.

Logo após o Largo São Francisco, lá estava ela! Muitos corredores gritam nesse trecho, essa é sem dúvida a parte mais difícil da prova, cerca de 3km de subida (sem sombra!). Ao som de “Brigadeiro agora é nóis!”, “Vai Corinthians” e muitos outros desabafos, segui junto com a massa morro acima! Fiz “V” de vitória pra todos os fotógrafos que encontrei, com a esperança de conseguir comprar a foto depois. Meu ritmo caiu, pensamentos como “O que eu estou fazendo aqui?” passaram pela minha cabeça (muitas vezes!), mas eu tinha em mente que não iria parar e assim fui, cambaleando, ofegante, pernas bambas…

Eu já (ou ainda) estava no quilômetro 13. Que difícil estava respirar! Os espectadores gritavam “Tá acabando!”. Me concentrei nessa frase e fiz dela uma mantra, sim, estava acabando… Olhei pro infinito, aumentei a música do MP3, tentei não pensar em nada, procurei seguir um corredor que estivesse com o ritmo melhor do que o meu (não foi difícil encontrar!) utilizei todas as técnicas que já tinha ouvido falar (todas juntas!).

Cruzamento da Brigadeiro com a Paulista? Sim era ele!!! Não é que as técnicas funcionaram? Quando avistei a reta final, meu ânimo voltou. Como foi bom ver o prédio da Gazeta! Reuni todas as minhas forças pra um sprint final e cruzei a linha de chegada com um sorrisão imenso! Bati o olho no relógio, tempo péssimo! Quase suficiente para que a queniana vencedora pudesse ter ido e voltado. Mas nem liguei, eu tinha concluído os 15km e isso é o que importava. Agora era só pegar a merecida medalha. “Ainda bem que eu vim”, esse foi meu primeiro pensamento após a prova.

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