Conceição do Ibitipoca – A cidadezinha que tem uma janela pro céu…

Localizado em um dos pontos mais elevados da Serra da Mantiqueira, no Sudeste de Minas, esse pequeno distrito de Lima Duarte é um desafio para quem quiser encontrá-lo no mapa, mas é bastante conhecido por abrigar o Parque Estadual do Ibitipoca, uma área de 1.488 hectares.

Conceição do Ibitipoca

Chegar ali não é tão fácil, a partir de São Paulo são 510 km, sendo que de Juiz de Fora em diante, os últimos 27 km são por uma estradinha de terra bem tortuosa.

O vilarejo (conhecido como Arraial) é muito charmoso, composto por ruas bem íngremes e estreitas, revestidas de pedras e ornamentadas com inúmeras lojinhas de artesanatos e doces típicos. A oferta de restaurantes também é grande, as opções vão desde PFs a opções mais elaboradas, como bistrôs e até comida tailandesa. Mas minha opção foi mesmo pela culinária local: tutu de feijão, arroz, ovo frito, torresmo e lombo! Como direito a porção extra de calabresa e mandioca! Ai, ai, (saudades!)… Foi tão bom que no dia seguinte resolvemos almoçar novamente no mesmo restaurante, o Cleusa’s bar. Aprovado por unanimidade!

 

Ainda na categoria gastronomia, quem quiser provar algo 100% local pode conferir o pão de canela, vendido em cada esquina de Ibitipoca, além dos doces de leite tradicionais ou modernizados (com café, coco, nata, etc…) e é claro, o pão de queijo!

O grande atrativo de Ibitipoca é sem dúvida o parque, que fica a 3 km do centro. Programe-se para chegar cedo, pois o número de visitantes é controlado, sendo 800 pessoas em dias comuns e 1200 pessoas em feriados. Quem estiver de carro pode optar por estacionar dentro dos limites do parque, (tarifa única de R$20,00). Nós resolvemos estacionar na rua mesmo e não tivemos problemas.

Uma vez no parque, não vejo a necessidade da contratação de serviço de guia, pois as trilhas são bem sinalizadas e os percursos não apresentam grande dificuldade. Uma boa opção é seguir direto ao centro de apoio ao turista, ali são fornecidas informações e mapas para os três principais circuitos a serem percorridos.

1º Circuito: Janela do Céu

janela_do_ceu

O mais longo e também mais concorrido, já que leva o nome do grande atrativo do parque. Esse trajeto tem 16 km e duração média de 8h pra ser percorrido (ida e volta). No caminho, como recompensa pelo excesso de subidas, estão pontos de visitação muito interessantes, como a Gruta dos 3 Arcos, o Mirante da Lombada (ponto mais alto do parque), o mirante do Cruzeiro (demarcado por uma cruz), a Gruta dos Fugitivos e finalmente o “grand finale”, a Janela do Céu, que é na verdade o topo de uma cachoeira de águas vermelhas, com 20m de altura. A vegetação a seu redor forma uma moldura natural, causando esse aspecto de janela. Devido ao feriado, a concentração de pessoas por ali era enorme, se puder agendar sua visita fora de temporada, faça isso!

Morro do Cruzeiro

2º Circuito: Pico do Pião

Como tínhamos pouco tempo disponível, nos programamos pra fazer o 2º e 3º circuitos no mesmo dia, foi um pouco corrido, mas nada impossível. Esse é um percurso de 11 km com duração estimada de 5h. O primeiro atrativo de interesse nessa rota é a Gruta do Monjolinho.

Gruta Monjolinho

Para acessá-la é necessário nadar alguns metros em um pequeno lago com águas escuras e congelantes. No final desse lago há uma pedra furada e dali é possível avistar a gruta, mas quem fizer questão de vê-la por dentro, terá que mergulhar sob a pedra furada, que deve ter cerca de meio metro de largura, nada demais para a maioria das pessoas, mas pede pra um claustrofóbico fazer isso e fica esperando o que vai dar… Motivo de riso pra quem estiver do lado de fora, claro! Tentei diversas vezes e em todas elas subi no mesmo ponto onde tinha mergulhado e com cara de pavor… Resolvi voltar antes de congelar por ali.

Tempo perdido? Não… Pelo menos eu consegui observar a gruta pela pedra furada. Após essa pausa que durou mais do que o previsto, passamos também pela gruta dos viajantes, com cerca de 300m de extensão (necessário o uso de lanternas) e por fim, o Pico do Pião, segundo ponto mais alto do parque, com 1.720m de altura, nesse local encontram-se as ruínas de uma antiga capela, onde aconteciam missas e até casamentos.

Uma cansativa escada leva ao topo. Penso que subir vestida de noiva até ali não devia ser tarefa das mais fáceis…
Pico do Pião

Acesso Pico do Pião

Ruínas da Igreja

3º Circuito: Roteiro das Águas

Esse é o circuito mais fácil, com apenas 5km de distância (ida e volta), pode ser percorrido em cerca de 3h de caminhada. Seu trajeto, apesar de curto, surpreende pela beleza e grande concentração de atrativos. Entre eles estão a Prainha, o Lago dos Espelhos, a Ducha, o Lago Negro, a Ponte de Pedra e a Cachoeira dos Macacos. Na maioria desses pontos nossa vontade era parar e ficar o dia todo, mas como tínhamos 2 circuitos pra terminar em um só dia, não pudemos cair em tentação. Concluímos o percurso bem cansados, mas muito satisfeitos com tudo o que vimos e já pensando em alguma data para voltarmos.

Lago do Espelho

Importante:

* Leve bastante água, há apenas um bar/restaurante dentro do parque.
* Se quiser beber a água das cachoeiras purifique antes com hidrosteril ou similar e tenha em mente que é uma água bem escura.
* Não esqueça a lanterna tanto na trilha (para acessar as grutas) como no centro da cidade à noite, já que a falta de luz elétrica é frequente.
* Não há posto de gasolina em Ibitipoca, quem for de carro deve abastecer em Lima Duarte.
* Procure se hospedar no centro, as pousadas mais afastadas tem acesso por estradinhas de terra bem sofridas!

Onde Ficar:

Essa pousada fica a 3 km do centro, é muito bem cuidada e tem bom preço, porém, devido ao inconveniente da estrada de terra, já mencionado acima, recomendo apenas para quem tiver carro 4×4.

Pousada Sítio das Hortênsias

Alugamos a Casa das Árvores para 6 pessoas.
Valor total para cada um: R$ 234,00 (por 4 dias)
Casa com 2 quartos, sala, cozinha, 2 banheiros, chuveiro a gás, lareira e varanda.
Para localizar outras pousadas ou campings, acesse o site abaixo:

http://www.ibitipoca.tur.br/hospedagens/

  1. jorge luis teixeira

    olá Juliana Faria.
    Obrigado por responder ao meu email sobre hostel em Montividéu.
    (acho que deve se lembrar ainda…)
    sou de uma cidadezinha pertinho de Ibitipoca…ah uns 50 km. E acredite, nunca fui…srsrs.

    bjos.!

    • Juliana Faria

      Olá Jorge!
      Me lembro sim, claro!
      Que bom ter a visita de um mineirimm por aqui! :mrgreen:
      Então quer dizer que você nunca foi a Ibitipoca? Poxa, tá perdendo, hein?!
      Mas sei como é, tudo que é perto a gente deixa pra depois! Bom, quando decidir prestigiar Ibitipoca volte aqui pra passar as suas dicas, ok?!

      Abraço!

  2. Ei Juliana, bacana demais suas informações. Pretendo ir sozinha, fora de feriado. Me preocupo com segurança. Neste caso, você me sugere contratar um guia ?

    • Juliana Faria

      Olá Arlene,

      Acho que o guia vale a pena sim! O parque é bem estruturado e sinalizado, mas como fui em um feriado, era só seguir o fluxo, todos iam na mesma direção… Já sozinha, talvez vc passe batido por algum atrativo bacana, o que seria uma pena… Além disso, para explorar os cantos mais profundos das cavernas, a presença do guia é muito importante!
      Perigo em relação à integridade física eu não vejo, as trilhas são bem seguras e com terreno firme. Além disso a cidadezinha é um oásis de tranquilidade…
      Qualquer outra dúvida é só gritar!

      Uma ótima viagem pra vc! 🙂

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