Inhotim: Referência em Arte Contemporânea

A 60 km de Belo Horizonte, na escondida cidade de Brumadinho, está localizado o maior museu a céu aberto da América Latina, o Instituto Inhotim, idealizado pelo empresário Bernardo de Mello Paz. O complexo é resultado de uma proposta bastante audaciosa, que visou integrar em uma área de 140 hectares a harmônica combinação de natureza e arte.

Inhotim Magic Square

É natural que algo tão grandioso assim levasse tempo pra acontecer, os planejamentos tiveram início em meados dos anos 80, no entanto, sua fundação oficial ocorreu apenas em 2002 . A organização da estrutura de visitação e abertura ao público são ainda mais recentes e se tornaram realidade apenas em 2006.

Inhotim - Paisagismo

O resultado final não deixa dúvidas, essa espera de quase duas décadas foi muito bem recompensada, o que hoje se vê são pavilhões, galerias e esculturas expostas ao ar livre, inseridos em um singular projeto paisagístico composto por uma grande variedade botânica, que inclui espécies raras de todos os continentes.

Um dia é pouco!

Não restam dúvidas, um dia de passeio não é suficiente pra visitar essa gigantesca estrutura, mas é o que eu tinha, então tentei utilizar o tempo da melhor forma possível, aproveitando o que eu conseguisse ver e tentando não lamentar o que tive que deixar pra trás.

Inhotim: Nome indígena?

Foi a primeira coisa que me veio a mente e como gosto de saber a origem das palavras, lá fui eu pesquisar! Pra minha surpresa, não me deparei com nenhuma referência Tupi-guarani e encontrei como motivo mais provável para a nomenclatura o fato de no passado, aquelas terem sido as terras de Nho Tim! Lenda ou não, o que importa é que “Inhotim” é uma palavra de boa sonoridade e fácil de memorizar. Gostei!

Planejamento

Logo na entrada do parque, é fornecido gratuitamente um mapa, que indica 3 circuitos: o amarelo, o rosa e o laranja. Se você tiver dois dias, sugiro fazer no primeiro o rosa e o amarelo e no segundo o laranja. Pra quem tiver um dia só, recomendo a estratégia que utilizei e me pareceu eficiente, assinalei no mapa as obras que eu mais tinha interesse em ver e saí em busca delas, tentando fazer um roteiro circular de forma a não perder muito tempo no vai-e-vem. Claro que também reservei tempo pra surpresas, pra conhecer pavilhões que não estavam no meu roteiro e dos quais eu não tivesse nenhuma informação. Acho até que essa parte do “inesperado” foi a mais prazerosa.

Meu maior erro foi não ter comprado o ticket para o carrinho de transporte, eu queria caminhar pelo parque, mas depois percebi que o carrinho não iria me impedir de caminhar, mas apenas facilitar meu acesso aos pontos mais distantes. De qualquer forma, a visita foi bastante produtiva e meu pouco tempo, muito bem utilizado!

As obras

Difícil descrever obras, já que elas causam reações diferentes em cada pessoa, o que posso tentar registrar é a minha impressão diante de algumas delas.

Desvio para o Vermelho – Cildo Meireles

Inhotim Desvio para o Vermelho

Creio que as que mais me marcaram foram as que em algum momento me causaram algum incômodo, alguma angústia. A visita à Galeria Cildo Meireles, por exemplo, me incomodou demais e ao mesmo tempo me fascinou. A obra Desvio para o Vermelho foi uma das primeiras que eu visitei e apesar dessa seleção ser algo muito difícil, posso afirmar que foi a que eu mais gostei.

O primeiro inconveniente foi a fila, muitas pessoas aguardavam na porta, enquanto as outras galerias tinham a entrada livre, acho que isso já me estimulou a ficar, algo como “Se todos querem ver, deve ser especial”. No momento da entrada, nos pediram para tirar os sapatos e em seguida entramos em uma sala onde absolutamente tudo era vermelho, ali, encontramos objetos antigos, como gaiola, máquina de escrever, ventilador, geladeira, tudo na cor vermelha. Aquele ambiente monocromático era intrigante, qual será o motivo do vermelho, era minha principal pergunta. Logo adiante, nos deparamos com um ambiente completamente escuro, onde ouvíamos um barulho de água. Não era possível ver absolutamente nada e a impressão de que se ia molhar os pés, estava presente em cada passo. Consegui ver um vulto branco no final da escuridão, o primeiro objeto não vermelho até então. Mesmo com o desconforto da falta de visibilidade, decidi chegar até ele, e lá o que vi foi uma pia que jorrava um líquido vermelho, dava a impressão de sangue, muito desagradável mesmo, mas também uma experiência marcante, minha vontade era voltar pra fila e começar tudo de novo…

Rodoviária de Brumadinho – John Ahearn / Rigoberto Torres

Inhotim - Obra Rodoviária

Esse mural é composto por esculturas de fibra de vidro, coloridas com tinta automotiva. Representa pessoas dançando enquanto aguardam o ônibus. É leve, alegre, rico em detalhes e inspira todos a se aproximarem e tirarem uma foto com os personagens, numa tentativa de também fazerem parte da obra. Merece ser apreciado com calma!

Carnívoras – Adriana Varejão

Inhotim - Carnívoras

Essa obra é pode ser melhor visualizada do segundo piso e é composta por paredes revestidas de azulejos brancos, dentro das quais estão diferentes espécies de plantas carnívoras. Geralmente lamento a restrição de não poder tocar em uma obra, mas nessa, senti alívio por não tocar! A impressão de que aquelas plantas já tinham devorado muitos corpos, me dominou!

Jardim de Narciso – Yayoi Kusama

Inhotim - Jardim de Narciso

Segundo a explicação do monitor, essa artista sofre de problemas mentais e inclusive já se internou por conta própria em uma clínica de repouso. A arte é sua forma de manter-se conectada à realidade e ao mesmo tempo de fugir dela. Nessa obra, a lenda de Narciso é reproduzida em esferas espelhadas, dispostas em um espelho d’água. Quem se aproximar para tirar uma foto, verá sua imagem refletida nas esferas.

A Origem da Obra de Arte – Marilá Dardot

Inhotim - Letras

Gosto muito de obras interativas, nas quais podemos tocar e por isso esse trabalho da Marilá Dardot foi um dos primeiros a entrar no meu roteiro. O ponto de partida são diversas letras que também funcionam como vasos, mas a obra em si deve ser feita pelos visitantes. Cada um tem a possibilidade de preencher os vasos com terra e sementes e em seguida organizá-los no jardim, compondo palavras. Percebi que me faltavam as letras necessárias pra formar minha palavra e tive pena de destruir os escritos de outras pessoas, por isso, me limitei a apreciar a obra e principalmente observar o interesse que ela despertava nas crianças.

Troca-troca – Jarbas Lopes

Inhotim - Fusquinhas

A imagem desses 3 fusquinhas coloridos é foto obrigatória pra quem visita o Inhotim, tratam-se de esculturas móveis, carros que para serem monocromáticos dependeriam da troca de peças entre si, mas que ao mesmo tempo, estão muito bem dessa forma e encantam pelo colorido!

Obra sem título – Edgard de Souza

Inhotim - Estátuas

Em relação às esculturas externas, a que mais me impressionou foi a obra de Edgard de Souza, com três esculturas de bronze que fazem movimentos que remetem à Ioga. Difícil foi me conformar com a falta de título, pois o trabalho é muito expressivo e dezenas deles me passaram pela cabeça enquanto eu observava.

O Inhotim precisa ser vivido!

Tentei falar um pouco das minhas sensações diante de algumas obras, mas acho que um livro inteiro seria pouco pra mencioná-las e tentar passar alguma descrição. O Inhotim é uma experiência pessoal e diferente para cada um e eu recomendo a todos que visitem o Instituto e tirem suas próprias conclusões.

Onde Ficar

Eu buscava hospedagem econômica e portanto optei pelo Hostel 70, que possui uma estrutura bem simples, mas também muito acolhedora. A decoração é rústica e bem descolada, paredes coloridas, grafites e pufes no chão dão um charme especial ao ambiente.

Os lockers são decorados com fitinhas de pessoas que visitaram o parque e deixaram ali sua recordação, gostei da ideia!

Diária em quarto feminino (6 pessoas): R$ 45,00
Café da manhã incluso
http://www.hostel70.com/

Custos

Fui de São Paulo pra Brumadinho de ônibus, mas reconheço que a viagem é longa e cansativa, quem puder ficar de olho nas promoções aéreas, faz melhor negócio:

Ônibus São Paulo – Belo Horizonte
Empresa: Cometa
R$ 132,00 (semi-leito)

Ônibus Belo Horizonte – Brumadinho
Empresa: Saritur
R$ 18,85

Ônibus
Brumadinho – Belo Horizonte
Empresa: Saritur
R$ 15,70

Ônibus Belo Horizonte – São Paulo
Empresa Cometa
R$ 115,35 (convencional)

Entrada no parque

Terças e quintas: R$ 25,00
Quartas (exceto feriados): entrada gratuita
Sextas, sábados, domingos e feriados: R$ 40,00
Fechado às segundas (exceto feriados)
Meia entrada: Crianças de 6 a 12 anos / idosos com mais de 60 anos / estudantes / professores

Carrinho elétrico para transporte dentro do parque: R$20,00

Atenção

Quem precisar retornar de ônibus pra BH deve ficar atento.
São poucos horários e a pontualidade deles não é das mais confiáveis. O meu ônibus, por exemplo, tinha saída prevista para as 8h30, quando fui comprar a passagem me informaram que o horário era “a partir” das 8h40 devido ao trânsito (não sei que trânsito pode haver em Brumadinho em um domingo!). Fui pegar esse ônibus somente às 9h. Felizmente minha passagem BH – SP era pra as 11h e cheguei a tempo. Outro inconveniente é que a empresa Saritur não vende passagens pela internet.

Para mais informações, acesse o site do parque:

http://www.inhotim.org.br/

  1. Muito bom seu relato sobre esse lugar que é simplesmente incrível. Eu tinha tanta vontade de conhecer e pude realizar há pouco tempo atrás. Foi mais do que eu esperava, é lindo.

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