El Chaltén – Trekking Fitz Roy / Laguna de los Tres

O trekking até a base do Fitz Roy é certamente um dos mais cobiçados da Patagônia Argentina e um desafio que atrai cada vez mais visitantes para o pequeno povoado de El Chaltén. Contemplar o maciço de 3.375m de altitude, tendo como moldura a Laguna de los Tres, é uma experiência única e fascinante. Porém, esse privilégio tem seu preço, o grau de dificuldade é reconhecido como alto até mesmo por montanhistas experientes.

O nome original da montanha é Chaltén, termo que também batizou a cidadezinha e em língua nativa significa “montanha que joga fumaça”, não é difícil perceber a motivação dos indígenas na escolha do termo, já que a formação rochosa passa a maior parte do tempo encoberta por neblina. É lamentável que essa denominação tão apropriada tenha sido substituída por Fitz Roy.

Há 2 possibilidades de trilha, a tradicional e mais difícil partindo do centro de El Chaltén e uma opção menos íngreme com início na Hosteria El Pilar. Quem optar pela segunda rota deverá pegar um transfer até a Hosteria.

Nossa opção foi sair do centro. Exatamente às 4h da manhã estávamos no final da Avenida San Martín, ponto onde se inicia a trilha. Não foi nada agradável acordar tão cedo com uma temperatura de 5 graus e ventos determinados a nos arrastar! Mas tínhamos decidido ver o nascer do sol na beira da Laguna Capri, observando-o surgir por trás do Fitz Roy e sabíamos que nosso esforço não seria em vão.

Os primeiros 2 km são de subida, não muito íngreme, mas como caminhamos rápido, preocupados com o horário, foi bem desgastante. Não há placas que indicam a Laguna Capri, após 1h30 / 1h40 de caminhada, procure por placas que indiquem o camping, a lagoa estará na mesma direção.

Chegamos ainda à noite e aproveitamos esse tempo pra fazer um lanche enquanto esperávamos. Imensa foi nossa decepção quando o dia amanheceu e o horizonte estava totalmente encoberto por névoa. Não víamos o Fitz Roy e nem mesmo o sol.

Persistimos e esperamos mais alguns minutos, mesmo com pouca esperança… Foi nossa sorte! Pouco antes das 6h da manhã o espetáculo teve início. O sol apareceu no horizonte e cobriu as montanhas de um lindo tom dourado. Foi impressionante e nos sentimos plenamente recompensados.

Primeira missão cumprida, mas era momento de seguir, já que ainda tínhamos um grande percurso a ser cumprido. O trajeto de ida e volta é de cerca de 23 km, sendo que o último é extremamente difícil, a altimetria acumulada é de 400m em apenas 1km. Há muitas pedras soltas, o que exige atenção e o tempo estimado para vencer essa pequena distância é de 1h.

Siga placas Poincenot e também Laguna de Los 3.

Após o camping Poincenot há uma pequena ponte que cruza o Río Blanco, seguindo a trilha por cerca de 200m após a ponte há alguns banheiros e alguns bancos. Aproveite essa chance para descansar, pois é exatamente aí que vai começar a parte “hard”.

Uma enorme placa adverte os visitantes sobre a necessidade de boa condição física, mas quem pensaria em desistir no quilômetro final?! Em ritmo beeem lento, fomos aos poucos vencendo a parte crítica da trilha, que mais parecia uma escadaria sem fim…

O terreno é instável, com muita pedra e areia, imagino que em dias de chuva fique intransitável.

Nossa técnica de caminhar devagar, mas sem parar, funcionou! No tempo estipulado avistamos a Laguna de Los 3, totalmente congelada. O Fitz Roy insistia em se esconder, estava encoberto, pra nossa frustração, mas a sensação de vitória após ter completado a trilha era tão grande, que nem nos importamos.

As pessoas que tinham a expectativa conhecer a lagoa prometida nas fotos, em tom de azul bem intenso, se decepcionaram, mas a versão dela congelada me fascinou, demonstrou o poder de mutação da natureza e me pareceu compor uma paisagem de rara beleza.

Mais uma vez a persistência nos favoreceu e após alguns minutos, a neblina resolveu dar uma trégua. Tivemos o privilégio de ver o Fitz Roy bem de perto e admirar sua imponência.

Resolvemos então iniciar a descida, pois ainda teríamos um longo trekking de retorno. Engana-se quem pensa que a descida é mais fácil, ela pode exigir menos do fôlego, mas castiga os joelhos sem piedade!

Seguimos com poucas pausas, nosso foco era apenas chegar! Os pés estavam no limite e apesar dos muitos lanches que levamos, nosso principal assunto era planejar nosso cardápio do jantar.

O quilômetro final parecia infinito! Mas é justamente isso que torna a chegada tão especial! As primeiras casinhas do vilarejo que avistamos pareciam verdadeiras miragens. Nossa conquista foi dignamente brindada e degustada com tudo que povoou nossa imaginação no caminho de volta! Salud!

Informações Adicionais:

Trekking autoguiado – Trilha bem sinalizada
Distância: Cerca de 23km a partir do centro de El Chaltén
Grau de dificuldade: Alto

  1. Essa trilha é linda, mas como diz o post aquele ultimo quilômetro é realmente bem puxado. Quando eu lia sobre essa ultima subida eu ficava imaginando: “Será que é difícil assim mesmo?” e a resposta é sim. É bom ter estar bem preparado para não sofrer tanto na subida. Também é bem recomendável ver a previsão do tempo para planejar o melhor dia para a subida e conseguir pegar um visual melhor. O dia que eu fiz essa trilha o dia estava bem feio e quando cheguei no topo estava muito frio e com muita neblina. Não pude ver o Fitz Roy de lá de cima e a laguna estava toda congelada. É bom lembrar que lé em cima também é possível ver uma outra laguna chamada Laguna Sucia que é de um azul bem bonito. De qualquer forma essa é uma trilha que vale muito a pena de se fazer pela beleza do caminho e pelo desafio da subida. Pretendo voltar novamente lá para tentar ver a Laguna de Los Tres e o Fitz Roy em um dia ensolarado e com o céu aberto.

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